Truman Capote, sua vida e obra (única, diga-se de passagem). É possível unir e ainda por cima, narrar todos esses elementos em apenas 98 minutos? Bennett Miller, diretor da película Capote (2005), conseguiu.
Porém, a verossimilhança com o real ao contar a trajetória do escritor e jornalista Truman Capote e também comentários acerca da enigmática vida do autor de A Sangue Frio (1965); é o que pretendemos discutir nessa resenha.
O diretor Bennett Miller, é um estadunidense formado em Teatro pela New York State Summer School of the Arts (NYSSSA) em 1984. E mesmo com pouquíssima visibilidade no cenário cinematográfico internacional, conseguiu produzir um drama (com características autobiográficas) que de certa forma, proporcionou que se conhecesse não apenas a vida já adulta do jornalista Truman Capote ( Philip Seymour Hoffman), mas também a misteriosa forma de agir e pensar deste que se consagrou como o pioneiro do gênero que se conhece por new journalism ou jornalismo literário.
O desenrolar do enredo se dá pela história do assassinato da Família Clutter, na pequena Holcomb (no estado do Kansas - EUA). Todavia, o assassinato da garota Nancy, seu irmão e seus pais serve de pano de fundo para a trama, bem como a relação de Capote com Perry Smith (uma relação bem mais próxima) e com Richard Hickock (este com uma aparente frieza superior a do colega de crime), ambos, assassinos dos Clutter.
Desse modo, redigindo para o The New York Times, quando se dá o fato (em 15 de novembro de 1959), o protagonista lê a notícia sobre o assunto no mesmo jornal. Interessa-se pela temática e recebe apoio de seu chefe Willian Shawn para naquela noite ainda viajar ao Kansas. A ideia que aparenta ao menos, era de que Capote queria escrever sobre o tema para o jornal, mas o que se vê é o início da concepção de A Sangue Frio (exemplo clássico do que é o jornalismo literário - um tipo de reportagem que mescla fatos reais acontecidos com um jeito de narrar definido como novelístico que se aproveita da subjetividade quase ausente na notícia, em outras palavras, uma espécie de literatura não-ficcional).
Junto dele vai sua “assistente” Nell H. Lee (na realidade amiga que o conhece realmente, diferente dos outros do grande círculo de amigos de Capote). Já dentro do vagão do trem, é possível perceber o quão necessitava de atenção e reconhecimento o jornalista: ele paga a um dos carregadores para que este elogie seu livro na frente da amiga. Ela, claro, nota no exato momento a “farsa” e critica de forma leve e irônica o comportamento deste.
Truman Capote é representado durante todo o filme da seguinte forma: um homossexual de voz muito efeminada, sedento pela atenção de todos (uma necessidade quase patológica) e um homem ambíguo, contraditório e até mesmo indecifrável. Aliás, essa busca pela fama e brilho (reconhecimento) percorre sua vida e torna-o cada vez mais insaciável (tendo aparições desta insaciedade até em Bonequinha de Luxo (1961), roteiro escrito pelo próprio jornalista contando a trajetória de uma moça em busca do sonho de ser uma atriz hollywoodiana).
Voltando ao filme, vemos que numa incansável investigação, Capote vai travando um duelo com Perry Smith, para que o assassino lhe forneça informações essenciais à reportagem. Pouco a pouco consegue as informações e adquire do rapaz uma confiança de amigo (algo importante de ressaltar-se é que ele mantém uma relação meio dúbia com o assassino; quer manter-se afastado apenas ajudando-o com um novo advogado, mas também parece sentir atração por ele e pelo perigo que este representa).
Porém, a verossimilhança com o real ao contar a trajetória do escritor e jornalista Truman Capote e também comentários acerca da enigmática vida do autor de A Sangue Frio (1965); é o que pretendemos discutir nessa resenha.
O diretor Bennett Miller, é um estadunidense formado em Teatro pela New York State Summer School of the Arts (NYSSSA) em 1984. E mesmo com pouquíssima visibilidade no cenário cinematográfico internacional, conseguiu produzir um drama (com características autobiográficas) que de certa forma, proporcionou que se conhecesse não apenas a vida já adulta do jornalista Truman Capote ( Philip Seymour Hoffman), mas também a misteriosa forma de agir e pensar deste que se consagrou como o pioneiro do gênero que se conhece por new journalism ou jornalismo literário.
O desenrolar do enredo se dá pela história do assassinato da Família Clutter, na pequena Holcomb (no estado do Kansas - EUA). Todavia, o assassinato da garota Nancy, seu irmão e seus pais serve de pano de fundo para a trama, bem como a relação de Capote com Perry Smith (uma relação bem mais próxima) e com Richard Hickock (este com uma aparente frieza superior a do colega de crime), ambos, assassinos dos Clutter.
Desse modo, redigindo para o The New York Times, quando se dá o fato (em 15 de novembro de 1959), o protagonista lê a notícia sobre o assunto no mesmo jornal. Interessa-se pela temática e recebe apoio de seu chefe Willian Shawn para naquela noite ainda viajar ao Kansas. A ideia que aparenta ao menos, era de que Capote queria escrever sobre o tema para o jornal, mas o que se vê é o início da concepção de A Sangue Frio (exemplo clássico do que é o jornalismo literário - um tipo de reportagem que mescla fatos reais acontecidos com um jeito de narrar definido como novelístico que se aproveita da subjetividade quase ausente na notícia, em outras palavras, uma espécie de literatura não-ficcional).
Junto dele vai sua “assistente” Nell H. Lee (na realidade amiga que o conhece realmente, diferente dos outros do grande círculo de amigos de Capote). Já dentro do vagão do trem, é possível perceber o quão necessitava de atenção e reconhecimento o jornalista: ele paga a um dos carregadores para que este elogie seu livro na frente da amiga. Ela, claro, nota no exato momento a “farsa” e critica de forma leve e irônica o comportamento deste.
Truman Capote é representado durante todo o filme da seguinte forma: um homossexual de voz muito efeminada, sedento pela atenção de todos (uma necessidade quase patológica) e um homem ambíguo, contraditório e até mesmo indecifrável. Aliás, essa busca pela fama e brilho (reconhecimento) percorre sua vida e torna-o cada vez mais insaciável (tendo aparições desta insaciedade até em Bonequinha de Luxo (1961), roteiro escrito pelo próprio jornalista contando a trajetória de uma moça em busca do sonho de ser uma atriz hollywoodiana).
Voltando ao filme, vemos que numa incansável investigação, Capote vai travando um duelo com Perry Smith, para que o assassino lhe forneça informações essenciais à reportagem. Pouco a pouco consegue as informações e adquire do rapaz uma confiança de amigo (algo importante de ressaltar-se é que ele mantém uma relação meio dúbia com o assassino; quer manter-se afastado apenas ajudando-o com um novo advogado, mas também parece sentir atração por ele e pelo perigo que este representa).
Compreendendo uma diagese de aproximadamente 4 anos, o filme Capote ainda mostra o relacionamento de Truman com seu parceiro Jack (apesar de Bennett Miller não se aprofundar ou não ter destacado nenhuma cena sobre a relação homossexual de dois homens bem-sucedidos nos anos 50 e 60). E um pouco da glória conquistada pelo pré-lançamento de seu livro sobre os assassinatos, no qual é nítido ver que após aplaudiram-no efusivamente, fica mais do que estampada sua nada modesta satisfação.
Além disso, por ter um relacionamento social invejável compessoas das mais altas classes (inclusive com divas do cinema como Marylin Monroe), Capote frequentava inúmeras festas em salões chiques. Festas estas nas quais o cigarro, a bebida (que em 1984 dizimou com a vida do jornalista) e as pessoas estavam sempre presentes, sendo que a já citada carência de necessidade ficava mais explícita ainda, ao vermos Capote fazendo com que as pessoas sempre ficassem a sua volta rindo de seus comentários ácidos e honestos (como ele mesmo diz).
Ainda em Capote, vemos que num diálogo relevante entre o assassino Perry Smith e Truman Capote, este último cita bem superficialmente um pouco sobre sua infância; ao falar da mãe e um pouco do padrasto. A critério de explicação vale relembrar que Capote teve problemas com a mãe que era alcoólatra e acabou cometendo suicídio (motivo este, pelo qual foi crido por uma tia no estado de Alabama). Seu pai também não era a virtude em pessoa. E assim, após o divórcio de seus pais, sua mãe se casou com um cubano, Joseph García Capote, de quem Truman tirou seu sobrenome (a propósito, Truman considerava o padrasto seu verdadeiro pai).
Ao final do filme, os assassinos são condenados à forca (sendo que antes Perry, que trocava muitas cartas com o protagonista, conta em detalhes o ocorrido em uma de suas conversas com Truman na cela; explicando os motivos do latrocínio: um roubo mal-fadado que inicialmente tinha a pretensão de conseguir 10 mil dólares e acabou apanhando míseros 40 ou 50 dólares). Capote volta desolado com a cena que presencia o enforcamento, e assim publica depois de alguns anos A sangue Frio.
Acerca da verossimilhança da vida rela de Truman e a representada no cinema, fica uma ou outra indagação: se Truman gostava tanto de se “mostrar”, de chamar atenção; como explicar suas maneiras muito finas e discretas no falar e movimentar? E depois, se ele era considerado um escritor maldito de língua ferina (odiado pela alta sociedade nova iorquina), como também explicar a situação deste em ser recebido com pompa em qualquer lugar que chegasse (como na cena em que é convidado a assistir a estréia de um filme)? Seria isso unicamente pelo seu prestígio como “jornalista honesto” em seus escritos? Não é algo bem contraditório (assim como a vida desse personagem)?
Para quem deseja conhecer um pouco mais (mesmo que sob a visão de Bennett) a vida e a carreira profissional de Truman Capote, a obra de 2005 é mais do que recomendada. A nós, que estudamos Comunicação, compreender a vida de um jornalista que inovou em seu tempo, criando um novo estilo, um novo gênero para se trabalhar na área jornalística (que em nada segue os padrões vigentes de objetividade e imparcialidade, aliás, a constituição do gênero por ser literária possibilita ao jornalista não apenas discursar sobre os fatos, mas também refletir sobre o que escreve), Capote dispensa recomendações.
Nada melhor do que uma das célebres frases de Truman Capote, para justificar plausivelmente o adjetivo “indecifrável” dado ao personagem principal desta resenha: “Não sou um santo. Sou um alcoólatra, um drogado, um homossexual e um gênio. Certamente, poderia ter sido todas essas quatro coisas e ter continuado sendo um santo. Só direi que não sou uma pessoa feliz. Só os imbecis ou os idiotas são felizes".
LOPES DA SILVA, Anderson
*Resenha crítica escrita para a disciplina de TEORIA DA COMUNICAÇÃO II, ministrada pela Prof. mestranda Regina Krauss

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