sábado, 4 de julho de 2009

O "MERCHAN" DAS 8

"A adolescente engravida e o pai da criança, seu namorado, sequer assume o filho deixando a precoce mãe solteira sem saber o que fazer. O jovem rapaz cadeirante sofre constantemente com a falta de acessibilidade e discriminação na escola, nas ruas e na sociedade. A família conservadora e preconceituosa não aceita a amizade da filha com a colega lésbica." Parece-lhe familiar esses tipos de situações?


Pois é, você certamente já deve ter visto alguma cena dessas nas telenovelas do horário nobre da Rede Globo (o chamado 'horário das 8 h' no qual as novelas sempre vão ao ar quase às 9 h). Isso se chama merchandising social e não tem nada a ver com a publicidade que ocorre nas novelas ou "merchandising comercial", a única aparência que guarda deste é o significado do termo merchandising: aparição quase implícita de produto ou, no caso do merchandising social, representação de algum tema de apelo social embutido na trama da novela de qualquer horário e emissora. Os mais comuns são: luta contra o alcoolismo e dependência química, defesa dos direitos dos deficentes, procura por crianças desaparecidas entre outros.


Assim, é possível analisar que a maioria dos autores de novelas das oito, se usa dessa tão recorrente fórmula e, que por sinal, tem resposta rápida, pois aumenta-se a audiência da novela e a população se intera de assuntos às vezes desconhecidos ou tidos como tabu.


Desse modo, Gilberto Braga, um dos autores mais famosos da tv brasileira, poderia ser considerado também o precursor no assunto nas nossas telenovelas. À época em que se passava a novela Vale Tudo (1988), apenas o México, com a maior produtora de telenovelas do planeta, a Televisa, havia recorrido à temáticas sociais em suas histórias. A personagem Heleninha Roitman (Renata Sorrah) de Vale Tudo, era alcoólatra e assim a questão do alcoolismo foi debatida e mostrada para todos.


Além dele, autores renomados como Manoel Carlos e Glória Perez, para ficar em poucos nomes, são mestres quando o assunto é merchandising social. Exemplos disso não faltam: basta rever alguns capítulos de Laços de Família (2001), Páginas da Vida (2007), O Clone(2002) e Caminho das Índias (que está no ar atualmente). Todas elas abordavam algum conteúdo com cunho social.


E o mais importante é a função educativa que tais 'merchans' realizam na sociedade, construindo valores e expondo assuntos que estão presentes na vida e no cotidiano do brasileiro. Além disso, grande parte da população tem por meio de informação apenas a televisão.


Por isso, é interessante refletir, como um produto que muitas vezes é criticado por alienar e apenas entreter a grande massa, possa produzir nela preocupação social e moral com os temas tratados nos seus capítulos?


É... já dizia McLuhan que a tv seria a grande 'construtora' da Aldeia Global, onde a individualização já não existiria mais e sim todos os atos e suas conseqüências passariam a ser coletivos. Mas será que ele sabia o quão complexa e contraditória se tornaria esse veículo? Acho que não...

POR: TV NET FACNOPAR (ANDERSON LOPES)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

BOICOTE À TV DIÁRIO


A TV Diário é uma emissora de televisão aberta surgida no Ceará que com ousadia e disposição vem exibindo uma programação produzida a distâncias do eixo-emissor da comunicação brasileira. Essa emissora tem uma programação independente, ou seja, cria seus programas próprios de acordo com o interesse local, por isso aos poucos vem roubando o espaço da Rede Globo na região. Como a Rede Record já tem sido uma concorrente em potencial na região, a Tv Diário vem sendo motivo de grande preocupação para a Globo.
Devido a esse problema, os lucros obtidos através da publicidade têm tido uma diminuição significativa para a outra afiliada da Globo na região.
Não há cláusula no contrato da TV Globo com as afiliadas que citem este item de que é proibido o mesmo grupo possuir outra emissora via satélite para todo o Brasil, entretanto, como a ameaça de perda de público da Globo agora é uma realidade, a emissora está pressionando os membros da TV Diário (os seus diretores e todo o seu cast de apresentadores) no sentido de que a TV Diário deixe de ser exibida em rede nacional (via satélite).
A TV do Nordeste corre o risco de ser transmitida apenas em caráter local e alguns pontos do interior do Ceará. Tudo por conta do medo da Globo de perder espaço, audiência, e assim, perder parte dos seus lucros, com a baixa no preço dos anúncios nos blocos de comerciais e patrocinadores.
O dilema que fica para a Rede Verdes Mares é se vale a pena se arriscar a perder duas afiliadas da Globo para investir na sua grande promissora Tv Diário.

POR TV NET FACNOPAR (DIONE AQUINO E MAYARA)

A EVOLUÇÃO DA TV NO BRASIL.




Em 1950 foi a pré-estréia da Televisão no Brasil que aconteceu no dia 3 de Abril de 1950. Com uma apresentação de Frei José Mojica e as imagens foram assistidas em aparelhos instalados no saguão dos Diários Associados.



E no dia 18 de setembro a TV Tupi de São Paulo, PRF-3 TV, canal 3, foi inaugurada, concretizando assim o sonho de um pioneiro da comunicação no Brasil: Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, que já controlava uma cadeia de jornais e emissoras de rádio chamada Diários Associados com uma antena foi instalada no edifício do Banco do Estado de São Paulo.



"TV na Taba", apresentado por Homero Silva, foi o primeiro programa transmitido. Teve a participação de Lima Duarte, Hebe Camargo, Mazzaropi, Ciccilo, Lia Aguiar, Vadeco, Ivon Cury, Lolita Rodrigues, Wilma Bentivegna, Aurélio Campos, do jogador Baltazar e da orquestra de George Henri. A transmissão foi assistida através de 200 aparelhos importados por Chateaubriand e espalhados pela cidade, as transmissões aconteceram das 18 às 23h e foi colocado no ar o primeiro telejornal: "Imagens do Dia".


Os primeiro anunciantes da Tv Brasileira foram : Sul América Seguros, Antárctica, Moinho Santista e empresas Pignatari (Prata Wolf). No ano seguinte da inauguração existiam, aproximadamente, 7 mil aparelhos de televisão entre São Paulo e Rio de Janeiro.
No dia 20 de Janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, a TV Tupi da "Cidade Maravilhosa" inicia suas operações.


Começam também a fabricar no Brasil aparelhos receptores de TV. Os primeiros foram da marca "Invictus", de Bernardo Kocubej. "Sua vida me pertence", a primeira telenovela brasileira, transmitidos pela Tupi. Tiveram vários programas nessa época, TV de Vanguarda, Clube dos Artistas, Repórter Esso, Circo do Arrelia, A Praça da Alegria, Capitão 7, O Céu é o Limite, Grande Gincana Kibon, Festivais de Música, Excelsior / Record, Jovem Guarda, Silvio Santos, Família Trapo, Topo Gigio, A praça é nossa, etc.


Em 18 de Setembro de 1955 acontece outro marco importante para a TV Brasileira. esta é a data da primeira transmissão externa direta com a transmissão do jogo Santos X Palmeiras, na Vila Belmiro, pela TV Record.

Nos anos 60

Em 1960 já existiam 200 mil aparelhos receptores de televisão.
O intervalo comercial era fixado em três minutos e era proibida a participação de menores de 18 anos em programação de debates.

1965: entra no ar a Rede Globo de Televisão
1967: tem início a Rede Bandeirantes de Televisão
POR TV NET FACNOPAR (DIONE AQUINO E MAYARA)

domingo, 28 de junho de 2009

PERDEU-SE A QUALIDADE NAS EMISSORAS ABERTAS?

Muitos responderiam automaticamente que sim! E quem não fica tentado a dar essa resposta?
Desse modo, por mais que a palavra "qualidade" possa parecer escassa no mercado televisivo, ainda sim resta um fio de esperança para quem não se contenta em ser alienado pelos mais diversos programas, sempre tão vazios de conteúdo e inteligência. Sabe aqueles programas que quase ninguém assite e nem sabe que existe? Pois é, eles são a salvação da televisão brasileira.
Um exemplo mais concretro disso é o programa de entrevistas e debates "Roda Viva" (foto) da Cultura, que está há 20 anos na Fundação Padre Anchieta (que vai ao ar às 22h10 às segundas-feiras e é apresentado por Heródoto Barbeiro), o "Observatório da Imprensa" da TV Brasil (apresentado pelo crítico jornalista Alberto Dines às terças-feiras às 22h40 e quartas-feiras às 00h10) ou ainda, o "Ver TV" sobre debates e assuntos relacionados à mídia televisiva, veiculado pela TV Câmara e Tv Brasil e o programa de debates "Canal Livre" da Band. Tais programas como estes são de uma qualidade incrível e pouquíssimo assistidos pelo público brasileiro.

Motivo? Os assuntos discutidos no programa nada têm a ver com fofocas das celebridades ou outras notícias banais. Ibope? Não se compara aos dos realities ou aos das tão "cultas" telenovelas sobre mutantes e afins. R a qualidade? Esta nem se discute ou compara.

Agora saindo um pouco do meio jornalístico, poderíamos citar programas sobre cinema como "Revista do Cinema Brasileiro" (foto) da TV Brasil e "Cine Conhecimento" do Futura (que é apresentado aos domingos, sabádos e segundas-feiras com horários variados). O primeiro, apresentado pela atriz Julia Lemmertz, fala sobre os festivais de cinema que ocorrem pelo país afora e lançamentos brasileiros do setor. Já o segundo, apresentado pela também atriz Leandra Leal, apresenta filmes de diversos países e temáticas, com o objetivo de se fazer entender o mundo através dos bons filmes (diga-se de passagem que nenhum filme de Renato Aragão ou Xuxa passou até hoje. Precisa explicar o porquê? ).

E os programas educacionais então? Nossa televisão infelizmente está empobrecida deles. Porém a TV Escola nos surpreende cada vez mais com seus programas e séries sobre a educação infantil, ensino fundamental, médio e superior; que auxiliam os professores e alunos nas escolas (entre eles podemos destacar o programa "Salto para o Futuro").
Isso tudo sem falar em documentários históricos e culturais das TVs Senado, Câmara, Escola e poucas outras.
Atualmente todos os programas que fazem sucesso na tv brasileira têm finalidades comercias, mas não se pode culpar somente a mídia por essa situação. As pessoas não são obrigadas a assistir a esses programas, na realidade elas optam por assitir aquilo que lhes convêm e lhes faz dormir sem refletir em nada do que acontece. Programas culturais nas grandes tvs abertas viraram quase raridade.

É uma pena que tudo aquilo que é desnecessário e fútil possa exerce um poder incrível de atração nas pessoas. No entanto, ainda temos o poder de analisar criticamente a escolha de quais programas assistir. Isso já nos basta.



Por TV NET FACNOPAR (ANDERSON LOPES)

OS "CLONES" NAS MANHÃS DA TV BRASILEIRA

Todas as manhãs ao ligarmos a tv, mesmo mudando constantemente de canal, parece que estamos assintindo ao mesmo programa. Vários apresentadores falando sobre um tema do cotidiano, sobre o mundo fashion, culinária, brincadeiras e prêmios, notícias e aquelas 'coisas' de sempre que acontecem nos programas matutinos da televisão brasileira.






Basta assistir (ou 'reassistir') as matérias do "Hoje em Dia" (Record), do "Dia Dia" (Band), "Mais Você" (Globo) e "Manhã Maior (RedeTv!). Todos simplesmente IDÊNTICOS. O único que foge a regra é o SBT, com sua programação infantil de desenhos (nem foge tanto assim, porque em setembro de 2008 lançou o "Olha Você" que era no mesmo formato dos outros programas, mas ia ao ar à tarde e não durou muito: acabou em março deste ano).Mas por que acontece essa invasão de "clones" nas manhãs? Por que apresentam da mesma forma a mesma notícia no mesmo horário ?!
As respostas parecem fáceis...
Primeiramente não foi ontem que surgiu na tv brasileira programas nesse estilo. Já na década de 80 a Rede Globo apresentava um programa semelhante: o TV Mulher (com variedades sobre o universo feminino), que tinha apresentadores como Marília Gabriela, a sexóloga Martha Suplicy, o já falecido estilista Clodovil Hernandes entre outros. Depois, em várias emissoras foram surgindo vários programas voltados ao público feminino (desde os extintos "Note e Anote" (Record) e "Clodovil abre o jogo" (Manchete) aos atuais "Mulheres (Tv Gazeta) e "Mulheres em Foco" (Record News)). Ou seja, programas feitos nesses moldes sempre fizeram sucesso na tv.

Depois, uma das possíveis causas dessas imitações de programas na mesma faixa de horário, se deve a batalha acirrada pela audiência.

Assim, como a Record vinha alavancando seu ibope matutino com o programa "Hoje em Dia" (estreado em 22/08/2005 e apresentado por Britto Jr., Ana Hickman, Edu Guedes e Chris Flores), a Globo começou a se preocupar com baixos índices de audiência do "Mais Você" de Ana Maria Braga e assim reformulou todo o programa: antes era quase que exclusivamente de culinária e feminino agora já tem matérias diversificadas e de variedades cotidianas. Tempos depois, a Band lançou o "Dia Dia", com Patrícia Maldonado, Lorena Calábria e Daniel Bork (e às vezes Datena com seus 'comentários policiais'). A mesma coisa. A última foi a RedeTv! com o programa "Manhã Maior", apresentado por Arthur Veríssimo, Keila Lima e Daniela Albuquerque.

Desse modo fica claro que quando a formula dá certo para uns, logo tende a ser copiada por outros. E não estamos falando que foi o Hoje em Dia que inaugurou o formato: na realidade este mesmo tipo de programa já era realizado nos EUA (um exemplo já batido é o programa da rede americana ABC, "Good Morning America", há anos no ar).


O que podemos concluir, é que a frase tão largamente dita por nós de que "os brasileiros são os mais criativos" infelizmente não é demonstrada quando se trata de televisão no Brasil.



Por TV NET FACNOPAR (ANDERSON LOPES)

CIRANDA NA TV


Gugu e Ana Paula Padrão na Record. Justus e (possivelmente) Eliana no SBT. Mylena Ciribelli também na Record...
Não entendeu nada não é?!

Pois é, essa verdadeira "ciranda" vem acontecendo na televisão brasileira mais comumente do que se possa imaginar. E tudo isso por motivos muito óbvios: a guerra constante das TVs pela audiência e a busca por salários cada vez maiores.
E claro, que não é novidade que isso aconteça, porque esse processo de passagem (ou troca) de uma emissora pela outra ocorre desde o período das Rádios no Brasil: era animador e comunicador que ia para outra Rádio de mais sucesso para apresentar seus programas de auditório, era atriz de radionovela que almejava maior fama em novas radionovelas de outras emissoras e assim por diante.



Dessa forma não é de se estranhar que a Rede Record e o apresentador Gugu Liberato (que estava há 28 anos no SBT) assinassem, na quinta-feira (25), um contrato de R$ 3 milhões para um tradicional programa de domingo e um outro de entrevista na emissora. Ou que Justus saísse do reality "O Aprendiz" da Record e fosse para a emissora do Baú com a promessa de um programa semanal no formato de "Quem quer ser um Milhionário"(um quiz ou jogo de perguntas) no horário nobre da casa.



O que é mais interessante é como o mercado televisivo não é aberto a novos talentos ou a pessoas jovens com capacidade para atuar na tv. É certo que quanto mais experiente a pessoa for, mais credibilidade e espaço ela tem. Porém, ao invés de tantas trocas das mesmas caras tão vistas de um lado para outro, contratações com caras novas certamente reformulariam a forma de se ver tv (até mesmo os formatos dos programas que já se tornaram antiquados).

Mas voltando ao nosso assunto inicial, não são apenas os programas de entretenimento que estão "mudados", os telejornais e programas jornalísticos também passam por mudanças: Ana Paula Padrão (ex-SBT) vai estar na bancada do Jornal da Record, ao lado de Celso Freitas, todas as noites e Mylena Ciribelli (que estava no comando do Esporte Espetacular da Globo desde 1991) já firmou contrato com a mesma emissora do Bispo para apresentar o "Esporte Fantástico". Já Eliana não sabe se fica na Record ou se volta para o antigo lar, o SBT, pois as propostas de salários são aumentadas dia após dia por Sílvio Santos.


O que podemos esperar é muitas e muitas trocas por aí irão acontecer, ainda mais que luta ferrenha das emissoras não está se restringido apenas ao ibope de cada uma, agora é importante também desbancar a concorrente tirando suas principais atrações: pessoas de 'peso' ou os 'consagrados' no mercado televisivo.
E será que as pessoas um pouquinho mais 'leves' e nem tão consagradas assim, terão um dia ainda o seu lugarzinho ao sol? Nós esperamos...
Por TV NET FACNOPAR (ANDERSON LOPES)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ELEIÇÕES NO IRÃ: A CRISE DO TWITTER

Certamente o líder supremo político e religioso do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, jamais imaginou que um dia teria que enfrentar a revolução tecnológica. Seus problemas vieram em dose dupla: a revolta da população e a revolução provocada pelas novas tecnologias da comunicação (a rede mundial de computadores, celulares, mp3, gravadores e câmeras digitais, blogs,You Tube e principalmente o twitter), que romperam as barreiras da censura.

A crise política vivenciada no Irã, é sem precedentes naquele país. A população indignada com a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 12 de junho, tem saído às ruas de Teerã desde então numa série de protestos exigindo uma nova eleição. Houve confrontos violentos com as forças de segurança do governo, deixando um saldo de pelo menos 20 mortos e dezenas de feridos. Muitas pessoas também foram presas, inclusive membros da imprensa. Na tentativa de esconder a real situação, o governo iraniano decidiu censurar a imprensa internacional que foi proibida de atuar no país. Alguns jornalistas até foram expulsos de lá. A imprensa estatal age conforme determina o governo, omitindo a verdade. Nem Khamenei nem Ahmadinejad imaginaram que as imagens dos conflitos diários seriam vistas em todo o mundo graças às novas tecnologias da comunicação. Uma das imagens mais chocantes foi a de uma jovem, Neda, que morreu ao levar um tiro no peito. A cena trágica foi filmada por outro manifestante, postada na internet e divulgada ao mundo. A oposição iraniana usa os microblogs para se organizar e informar seus aliados, além de divulgar para a imprensa mundial o que de mais importante está ocorrendo. Vídeos captados e enviados por telefones móveis e fotos em baixa definição foram copiados por blogs e sites noticiosos, driblando a censura. Especialmente o Twitter tem sido uma importante ferramenta de comunicação no Irã.

Matéria veiculada no caderno Tecnologia do jornal A Gazeta do Povo, edição do dia 22 de junho de 2009, também aborda o assunto e afirma que: ‘as eleições do Irã serão lembradas como a crise do Twitter. A rede social, que permite aos usuários postar mensagens (apelidadas de “tweets”) de até 140 caracteres, mostrou-se perfeitamente adaptada a uma situação delicada e que envolveu uma intensa sede por informação em tempo real’.

É óbvio que o governo iraniano entrou em ação e fechou o acesso a vários servidores por onde o Twitter era acessado. Como alternativa os usuários da Web passaram a utilizar servidores paralelos, muitos deles fora do país. É assim que as informações continuam chegando.

O estopim da crise foi às denúncias de fraudes nas eleições. O Conselho de Guardiões, órgão legislador responsável por ratificar o resultado do pleito, admitiu a ocorrência de irregularidades em ao menos 50 cidades e concedeu apenas a recontagem parcial dos votos. Houve mais votos que eleitores, cerca de (3) milhões de votos irregulares. O Conselho alegou, porém, que o fato não foi suficiente para causar a anulação da votação. Os (3) candidatos derrotados, entre eles Mir Hossein Mousavi, denunciaram 646 supostas irregularidades em favor de Ahmadinejad.

Ainda não há previsão sobre quando o país voltará a ‘normalidade’. O resultado da eleição foi confirmado nesta quarta-feira (24), depois da recontagem de 10% dos votos. O dia foi de novos protestos e violência policial. Novamente as imagens foram parar na Web. O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, reafirmou que não vai ceder às pressões populares e garantiu que não vai haver nova eleição.
POR TV NET FACNOPAR (ELY MACEDO)